– Rasga, rasga! Eu tô pedindo.
E aquilo me soou tão intenso, tão fidedigno. Não tive como recusar tal auxílio. Com uma ligeira delicadeza habitual e total aflição cumpri o que fora pedido. Aquilo doía em mim também. E não tinha como não doer. Eu estava tão envolvida, mais do que podia até:
– Você tá melhor?
– O que você acha?
– Não complica! Eu não quero achar nada.
– Pára de ter medo de arriscar e me fala alguma coisa.
– Essa mania de me confundir te persegue, só pode! Meu carma.
– Instigar é diferente de confundir.
– Aí, já tá começando!
– Eu gosto da tua voz quando fica assim...
– Você gosta é de me confundir, eu já disse.
Com um sorriso costumeiro desfez qualquer início de confusão. Prendendo de tal maneira a minha atenção, que eu poderia cronometrar os meus batimentos cardíacos. Falava gostar da minha voz quando eu ficava embriagada com a maneira que persuadia em tudo; mal sabia que eu sorria por dentro, algo tão instantâneo. E o telefone não parava de tocar. Como repudio essa maldita invenção! Graham Bell o fez num dia muito infeliz. Como dizia, o telefone tocava... e tocava.
– Não vou atender mesmo! (disse num tom sarcástico)
– Tão cedo, quem está ligando desiste! (exclamou num tom baixo, como se quisesse que apenas eu ouvisse).
Silêncio. O telefone parou de tocar.
Respiração.
Pensamentos.
Brincadeiras.
– Tudo isso é verdade. (falei sem pensar, eu deveria ser mais forte e resisitir)
E os segundos corriam ininterruptamente. E ainda correm, pois não posso pará-los.
postado [originalmente] em: 11 de Fevereiro de 2006 ás 07:28
E aquilo me soou tão intenso, tão fidedigno. Não tive como recusar tal auxílio. Com uma ligeira delicadeza habitual e total aflição cumpri o que fora pedido. Aquilo doía em mim também. E não tinha como não doer. Eu estava tão envolvida, mais do que podia até:
– Você tá melhor?
– O que você acha?
– Não complica! Eu não quero achar nada.
– Pára de ter medo de arriscar e me fala alguma coisa.
– Essa mania de me confundir te persegue, só pode! Meu carma.
– Instigar é diferente de confundir.
– Aí, já tá começando!
– Eu gosto da tua voz quando fica assim...
– Você gosta é de me confundir, eu já disse.
Com um sorriso costumeiro desfez qualquer início de confusão. Prendendo de tal maneira a minha atenção, que eu poderia cronometrar os meus batimentos cardíacos. Falava gostar da minha voz quando eu ficava embriagada com a maneira que persuadia em tudo; mal sabia que eu sorria por dentro, algo tão instantâneo. E o telefone não parava de tocar. Como repudio essa maldita invenção! Graham Bell o fez num dia muito infeliz. Como dizia, o telefone tocava... e tocava.
– Não vou atender mesmo! (disse num tom sarcástico)
– Tão cedo, quem está ligando desiste! (exclamou num tom baixo, como se quisesse que apenas eu ouvisse).
Silêncio. O telefone parou de tocar.
Respiração.
Pensamentos.
Brincadeiras.
– Tudo isso é verdade. (falei sem pensar, eu deveria ser mais forte e resisitir)
E os segundos corriam ininterruptamente. E ainda correm, pois não posso pará-los.
postado [originalmente] em: 11 de Fevereiro de 2006 ás 07:28