domingo, 15 de novembro de 2009

Atestado

Hoje eu me despedi oficialmente de você. Mas, pra falar bem a verdade, a despedida já aconteceu há tempos. Só não tive os minutos necessários para mencionar o fato por aqui. No entanto, setembro me foi uma boa retórica. Acredito que pra ti também.

Sejamos cúmplices pelo menos agora: fomos intensos ad infinitum, inclusive na hora de nos deixarmos. O amor tem lá dessas histórias, e comigo é particularmente assim. Como disse o Xico Sá esses dias 'eu quero sempre me fuder de amor'.

Hoje eu me decidi oficialmente. Vou escrever um livro.

Deu samba

Cai no chão
Um corpo maltrapilho
Velho chorando
Malandro do morro era seu filho

Lá no morro
De amor o sangue corre
moça chorando
Que o verdadeiro amor sempre é o que morre

Menino quando morre vira anjo
Mulher vira um flor no céu
Pinhos chorando
Malandro quando morre
Vira samba

C.B.

domingo, 25 de outubro de 2009

Kamikaze

Eu poderia ser o parque de diversão preferido de qualquer psicólogo, analista, terapeuta e cia limitada.

Eu causaria tanto pavor quanto um castelo assombrado, desses que tem atores se fingindo de personagens de filme de terror. Não duvido que eu deixaria qualquer doutor tendo noites mal dormidas e pensando sobre os delírios que confessei no divã.

Quanto ao doutor (ser masculino), sim, tem que ser 'ele'. Eu quero um homem me ouvindo. Nada contra uma doutora, mas, sinceramente, eu acho que perderia a graça. Certeza que ela me entenderia em cinco segundos por simbiose e auto-identificação. Sem contar que me excitaria muito mais persuadir pra um cara, óbvio.

Eu teria tantas voltas como uma montanha-russa, sendo capaz de cair no improviso e retornar as alturas de forma idealizada. Aliás, essa metáfora à la rollercoaster não é exclusividade minha. Outros textos já se apossaram dela pra exemplificar situações onde o sujeito está em derrocada, perdendo todo o fôlego que tem nos pulmões e se permitindo cair; quando, inexplicavelmente, esse mesmo sujeito toma o dobro do fôlego perdido e alcança ares desconhecidos outrora. E o grande paradigma de qualquer montanha-russa é esse, quando se vislumbra na queda a oportunidade de alavancar.

Por fim, eu seria o carrossel alfa do parque - com limite de visitação e trabalhos esporádicos. Afinal, estou longe de querer qualquer um abusando do meu divertimento e não costumo desperdiçar argumentação com facilidade. Inclusive pra qualquer psicólogo, analista, terapeuta e cia limitada.

Quem nasceu pra kamikaze, não vira carrossel do dia pra noite.

domingo, 18 de outubro de 2009

Montauk

domingo, 20 de setembro de 2009

Two Weeks

Ao destinatário,

Na última carta, os escritos se dissolveram no papel dolorosamente. Por mais que o conteúdo fosse o que você queria ler, foi árdua a tarefa de me permitir escrever o que eu tentava dizer em metáforas.

Confessar me dói mais do que idealizar. Pelo menos, enquanto idealizo tenho 50% de chance de qualquer coisa dar certo e outros cinqüenta de dar errado. É um risco, e eu me dou a chancela de que isso aconteça. Já atos confessionais pertencem integralmente à uma única versão, não tem meio termo nem aonde criar expectativa.

Sem resposta objetiva ou qualquer direcionamento que cumprisse a função de conclusão, preferi me ater, justamente, a falta de expectativa e fazer o que deveria ter sido feito desde o início. Um dia não é um mês nem um ano, e eu consigo entender isso agora.

Não me sinto injustiçada por não ter atendido telefonemas, ido à encontros, ou me esforçado na hora certa. O meu senso clamou por outro destino, e eu sempre vou seguir o meu carma. Seja ele bom ou não.

Mas a hora é de desapego e descomprometimento. Por isso, obrigada pelos abraços eternos e despedidas em câmera lenta.

domingo, 16 de agosto de 2009

Space Cowboy

- Wow! That's the man for whom I've been waiting all my life!
- Really? Well, I've been waiting for him for just 5 minutes. He's my boyfriend.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Blônicas II, a vez dos leitores

When a dream come true (...)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Colonização

O título não caberia no post, por isso ganhou outra importância tornando-se parte inicial para a pequena narrativa que virá a seguir. Somado a isso, a ânsia pelo verbo 'colonizar' fez dessa que vos escreve criatura fácil ao ato em si e a deixou em status de 'colonizada'.

Em outros trópicos antigos, colonizar implicava em: 1) pedido formal da mão de alguém aos progenitores desse alguém; 2) aliança na mão direita; 3) aliança na mão esquerda; 4) contatos físicos mais proeminentes; 5) nove meses; 6) que dure para sempre.

Pular-se-iam as regras dessa colonização e o inverso seria feito de forma desfeita: 1) que dure o quanto tiver que durar; 2) contatos físicos rapidamente mais proeminentes; 3) não cogites os nove meses, por gentileza; 4) mão esquerda e mão direita livres; 5) informalidade e 'vem cá, vem'; 6) te ligo amanhã tá?.

Colonização em épocas luz atrás era uma coisa, hoje é outra. O sentido exploratório é o mesmo, aproveita-se o melhor. Só o quesito referente ao 'habitar', isso foi meio que esquecido. Ninguém precisa habitar-se em ninguém e todos seguem assim, passos em contraponto, vontades submersas que um dia hão de se fazer refém e serão colonizadas como fora antigamente. Ah, se vão.