terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

[play the game]

Certa vez me peguei observando detalhes. Não só o contorno dos olhos, a cor dos cabelos ou o ópio que me tomava de modo súbito. Sentia conforto em fitar tais detalhes. As listras da camisa já não eram mais tão bregas, e até as músicas que a minha mãe ouvia faziam sentido agora.

Entendem o drama? Passei a furtar alguns discos (sem que ela percebesse obviamente), de grupos melodramáticos tipo Carpenters e cia ltda. Nem eu consigo acreditar, enfim.

Desmontava-me com os questionamentos mais simples; e eu negando respostas, como sempre. Percebendo o meu regresso, o sujeito, no alto dos seus um metro e noventa, voltou duas casas atrás. Como num jogo desses de tabuleiro, em que um pino entra em guerra com os outros. No caso, ele possuía o pino com o qual eu jamais joguei. A escolha foi dele. Antes de pegar a minha bolsa (numa tentativa frustrada de ir pra casa) e selar aquela tentação em forma de homem, salvei os seus últimos apelos:

– Sua vez de jogar.
– Eu não preciso jogar, passo a vez.
– Admito que esse seu jeito me intriga, sabia?
– Que bom pra você.

Muito bom, aliás.

postado [originalmente] em: 30 de Maio de 2006 ás 19:45