sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sexta-feira.

Ela sempre tinha uma carta na manga. E sempre escondia detalhes quando não havia necessidade de escondê-los. Ela tinha o costume de não idealizar contos de fada, até que um dia viu a sua própria estória contada nas cenas de um filme. Ela não conseguia entender que podia ser alguma coisa além de ser 'coisa' pra alguém, mas certa vez guardaram-a num potinho com um laço bonito e bem forte.

Ela nunca quis esse laço. No entanto, a verdade é que ela nunca pensou que fosse possível caber em algum laço. Laços soavam tão subjetivos, tão próximos ao irreal, ao itocável e de todas as outras impossibilidades cabíveis.

Ela raramente atendia quando a chamavam ou correspondia signos alheios. Ela gostava do silêncio, de deixar as palavras correrem solitárias: uma em busca da outra. Admirava a forma, o conteúdo e o contexto.

Ela tinha medo de sonhar e mais medo ainda de que esses sonhos todos fizessem arte na vida dela. Ela via graça em acordar na hora errada, e de fingir sono só pra ganhar um beijo no pescoço. Ela preferia dormir abraçada, eternamente.

Mas ela ainda acredita em noites de sexta-feira.