quarta-feira, 2 de abril de 2008

O tempo que nunca existiu.

A teoria do realismo, para a filosofia, preconiza que existe um tempo na mente humana que difere do tempo do espaço em que o dono desta mente está inserido, enquanto o idealismo acredita no antagônico: que o tempo é uma unidade que compreende as duas situações de tempo, o da mente humana e o espacial.

O idealista Kant acreditava que o espaço não pode ser analisado à parte o tempo. Para o filósofo alemão, a simples constatação de alguma coisa 'fora' já estabelece uma representação de espaço e de tempo. Afinal, existe uma tênue diferença em situarmos uma coisa que acontece 'fora' e uma coisa que acontece 'dentro’. Mesmo tendo interesses delimitados em estudar o tempo e o espaço com o intuito de ampliar os seus argumentos na metafísica, Kant também devotou-se em analisar o tempo de modo emocional (em partes). Do contrário, ele não teria investido anos em pesquisa, nem escrito profundamente sobre o assunto.

'Crítica da Razão Pura' foi o livro mais lido de Kant. Nestes escritos, o alemão aborda uma série de questões dogmáticas. Ao falar do tempo, Kant sintetiza que, ao seu ver, o tempo existe por conta de dois fatores: percepção e sensibilidade. Contudo, o escritor cita um elemento demasiadamente importante para que ambos tenham valia. Trata-se da razão.

Razão temporal que hoje nos falta muitas vezes. Razão esta que, intencionalmente, queremos que nos falte. Preferimos a situação comodista pelo conforto, pela praticidade, e porque é mais fácil ficar a mercê do pragmatismo, do acaso e do tempo. Ora, se a razão se faz inexistente, como utilizar os fundamentos de percepção e sensibilidade citados por Kant? Só nós damos conta da existência do tempo quando uma Lei da Física é jogada em nossos ombros.

Newton foi o pensador a constatar que toda ação gera uma reação. Nas palavras do próprio "Para cada ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade".

O maior pensador de todos os tempos, Einstein, vai por caminho similar quando afirma que a constância entre ação e reação no tempo compreende a seqüência de que um acontecimento é resultado de outro acontecimento.

Ao traçarmos um paralelo entre Newton e Einstein, e a noção que temos de tempo, chegararíamos ao raciocínio de que o tempo é objetivo; e já existia a muito antes de nós mesmos existirmos. Todavia, Kant nos trouxe a relevância subjetiva do tempo. Embora intocável, guardado nos ponteiros do relógio em segundos, minutos e horas, o tempo - imaterial - é o que nos dá fôlego em vivenciar experiências e nos sentirmos de alguma forma vivos, enquanto tivermos tempo.

A realidade racional mora na ciência física e, no final, se prende apenas em tabular números, já a razão emocional - aquela citada por Kant - nos traz a realidade emocional, de maneira a nos tornar criaturas livres no tempo que compreende o espaço e nos deixa aptos a percebê-lo e senti-lo.

Kant, embora grande pesquisador em assuntos metafísicos, se preocupou tanto em analisar a ação temporal e espacial do tempo que eu me sinto um bocado covarde em desperdiçar o meu tempo com banalidades irrelevantes.

Perder um tempo que talvez nunca vá existir é um pecado que eu não quero me dar a sensação de conhecer.