Há um tempo não muito distante, eu costumava escrever coisas mais bonitas e fundamentadas. Não que ainda não as escreva ultimamente, ainda tenho devoção pelas palavras. Mas, a questão é que eu ando um tanto egoísta deveras com os meus textos nas últimas vinte e tantas horas. Sinto-me impulsionada a falar de um tema pertinente, que ás vezes conheço todos os detalhes, contudo, por ora, em alguns momentos eu desconheço estes detalhes sem parcialidade nenhuma.
Esse tema não me solta pela mão, fez pacto com a minha sombra, escuta as minhas conversas no celular e ainda quer segurar a minha toalha quando tomo banho. Esse tema quer apanhar o meu copo e beber dele, aproveitando enquanto seguro o isqueiro de um amigo. Esse tema quer um pouco de atendimento personalizado sete dias por semana, embora adore compartilhar a sua própria solidão consigo mesmo nos dias de Outono. Esse tema sonha pequeno quando pára de sonhar, e sonha grande quando começa a idealizar um pensamento desconhecido - o curioso continua sendo o elemento surpresa da vida desse tema. Esse tema escolhe os personagens da sua peça, porém não distribuiu roteiros nem falas prontas. 'Que os atores tenham a habilidade de se encontrarem no palco', disse no intuito que nenhum dos artistas escutasse e que, assim, dessem mais valia ao acaso.
Aliás, eu faria uma reportagem de dezessete páginas para a New Yorker com esse tema. Usaria fontes oficiais e oficiosas, fontes de segunda linha - que teriam os nomes devidamente protegidos -, e safados sem lei, que tivessem argumentos marginais, também seriam ouvidos. Passaria noites em claro com a luz dos postes da avenida sendo testemunha dos meus escritos. Sentaria na sacada, com o peito fechado e um coração saltitando para vibrar por motivos conhecidos.
Eu faria uma resenha alusiva e extremamente crítica sobre os últimos anos desse tema, e, principalmente, sobre tudo que ficou perdido. No entanto, eu também faria uma crônica à la Machado de Assis para enobrecer a beleza dos olhos desse tema. Não, a beleza dos olhos não, melhor: o jeito cativo que este tema tem ao observar as vogais de um mundo falido de consoantes ímpares; e discorreria a respeito da sua reza imprópria por mais disponibilidade acessível de vodka á um mundo que precisa beber para tornar este mundo mais interessante.
Egoísmo de lado e incitações de outro, o meu assunto preferido nos últimos minutos e tantos segundos sou eu: entre variantes, definições, medos, amores, convicções - porque existe sim, uma saliente diferença entre 'certeza' e 'convicção' - e outros delírios não menos tragáveis.
Para que o texto fique mais ou menos agradável, eu conto uma história enquanto busco um café (...)
Botinha sem freio num pé descalço imaginário do menino que segura os raios fumegantes de um dia de sol quente paulatinamente mais quente a cada vez que o menino percebe que um de seus pés está no asfalto queimando em brasa o calor ardido de quase trinta e oito graus na Rua Joaquim de Freitas no Alto da Boa Lapa. O menino procura pelo outro par da botinha cor alaranjada esqueci de mencionar logo não seria difícil encontrá-la no entanto certamente a premissa de procurar pelo calçado ficara esquecida quando o calor aumenta e começa a tostar a cabeça do menino. O sol fica deliberadamente ardido e faz o menino esquecer-se do outro par da botinha alaranjada que não fora achada nem tampouco seria. O menino passa a mão no seu pé e percebe que o asfalto agora faz parte do seu andar em outras palavras a botinha alaranjada era o arquétipo menos importante de fato o menino agora podia andar para onde quisesse pois ele era parte de uma estrada a sua estrada.
- Alguém precisa de vírgulas na vida?, pergunto.
Esse tema não me solta pela mão, fez pacto com a minha sombra, escuta as minhas conversas no celular e ainda quer segurar a minha toalha quando tomo banho. Esse tema quer apanhar o meu copo e beber dele, aproveitando enquanto seguro o isqueiro de um amigo. Esse tema quer um pouco de atendimento personalizado sete dias por semana, embora adore compartilhar a sua própria solidão consigo mesmo nos dias de Outono. Esse tema sonha pequeno quando pára de sonhar, e sonha grande quando começa a idealizar um pensamento desconhecido - o curioso continua sendo o elemento surpresa da vida desse tema. Esse tema escolhe os personagens da sua peça, porém não distribuiu roteiros nem falas prontas. 'Que os atores tenham a habilidade de se encontrarem no palco', disse no intuito que nenhum dos artistas escutasse e que, assim, dessem mais valia ao acaso.
Aliás, eu faria uma reportagem de dezessete páginas para a New Yorker com esse tema. Usaria fontes oficiais e oficiosas, fontes de segunda linha - que teriam os nomes devidamente protegidos -, e safados sem lei, que tivessem argumentos marginais, também seriam ouvidos. Passaria noites em claro com a luz dos postes da avenida sendo testemunha dos meus escritos. Sentaria na sacada, com o peito fechado e um coração saltitando para vibrar por motivos conhecidos.
Eu faria uma resenha alusiva e extremamente crítica sobre os últimos anos desse tema, e, principalmente, sobre tudo que ficou perdido. No entanto, eu também faria uma crônica à la Machado de Assis para enobrecer a beleza dos olhos desse tema. Não, a beleza dos olhos não, melhor: o jeito cativo que este tema tem ao observar as vogais de um mundo falido de consoantes ímpares; e discorreria a respeito da sua reza imprópria por mais disponibilidade acessível de vodka á um mundo que precisa beber para tornar este mundo mais interessante.
Egoísmo de lado e incitações de outro, o meu assunto preferido nos últimos minutos e tantos segundos sou eu: entre variantes, definições, medos, amores, convicções - porque existe sim, uma saliente diferença entre 'certeza' e 'convicção' - e outros delírios não menos tragáveis.
Para que o texto fique mais ou menos agradável, eu conto uma história enquanto busco um café (...)
Botinha sem freio num pé descalço imaginário do menino que segura os raios fumegantes de um dia de sol quente paulatinamente mais quente a cada vez que o menino percebe que um de seus pés está no asfalto queimando em brasa o calor ardido de quase trinta e oito graus na Rua Joaquim de Freitas no Alto da Boa Lapa. O menino procura pelo outro par da botinha cor alaranjada esqueci de mencionar logo não seria difícil encontrá-la no entanto certamente a premissa de procurar pelo calçado ficara esquecida quando o calor aumenta e começa a tostar a cabeça do menino. O sol fica deliberadamente ardido e faz o menino esquecer-se do outro par da botinha alaranjada que não fora achada nem tampouco seria. O menino passa a mão no seu pé e percebe que o asfalto agora faz parte do seu andar em outras palavras a botinha alaranjada era o arquétipo menos importante de fato o menino agora podia andar para onde quisesse pois ele era parte de uma estrada a sua estrada.
- Alguém precisa de vírgulas na vida?, pergunto.