
'Te cabe no meu peito,
te esconde aqui dentro e eu prometo sossegar.'
Um dia essas palavras saíram pelo ar em movimentos de dança vindas do infinito do teu ego. Nem pensava que tu ousarias em dizer. Na beleza de ouvi-lás, faltou-me uma resposta á altura. Melhor: quem deveria questionar-te sobre o fato era eu; a minha boca dissolveria no encanto da promessa.
Que não seja por falta de ensejo, pois venha ouvir o meu estrado em forma de segredo. Que não seja por falta de zelo, leva contigo o meu pensar, a minha altura sobressalente e a minha falta de sono quando me revelo em fuso horário. Que seja feita a tua vontade, pelo meu desejo.
Á parte o teu colo, a tua cor que difere dos outros, aceito a condição. Não por condicionar-me em latitudes quilométricas ou por um oceano de distância - mesmo que essa distância se fizesse em único grão de areia do teu mar -, mas, sim por toda valia que existe em ver o sorriso de canto e sentir cada vez mais.
Se o sonho pode guardar essa lembrança, imagine uma ligação minha antes do sol se pôr. Aceite o meu convite, que o vinho fará companhia. Conte-me da vida, da tua história e do teu ser. Enquanto omito uma conversa, adivinho cada metro cúbico da tua pele por entre a camisa quadriculada.
Simulo a queda, e caio em ti.
Agora, podes morar junto a mim.